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Amamentação - a minha experiência

Sei que este pode ser um assunto polémico.
Existem várias opiniões acerca da amamentação, se se deve ou não amamentar, se faz diferença para o bebé, se sim por quanto tempo se deve fazer...enfim há opiniões para todas as hipóteses, inclusive os próprios médicos também se dividem.
Mas este post não é sobre polémicas, é apenas sobre a minha experiência e a forma como consegui não desistir quando a coisa parecia que não se ia dar.
Eu sempre quis amamentar. Li alguns livros onde falava sobre assunto e sentia que de certa forma estava preparada para quando chegasse o dia.
Mas quando chegou deparei-me logo com a primeira dificuldade. O meu bebé não sabia mamar. Penso que é normal, mas eu achava que os bebés já sabiam todos como fazer, os chamados reflexos que eles já trazem. O meu pequenino tentava mas demorava imenso a conseguir fazer a chamada pega. Quando conseguia fazia a sucção na perfeição mas até conseguir era o cabo dos trabalhos. Eu já me imaginava em casa a demorar horas até conseguir alimentar o meu bebé , que entretanto ficava roxo de fome. Mas não foi assim que aconteceu.
No segundo dia, ainda no hospital, (que pareceu uma eternidade porque um só dia tem milhentos momentos para amamentar :) parecia que só fazia isso) o meu bebé já pegava mais rápido e começou a ser fácil e natural. E eu contente da vida.
Estava pronta para ir para casa e começar a aventura. Mas lembrei-me de perguntar a uma enfermeira, antes de ir embora, mas e como é que funciona a subida do leite? Ou descida do leite, há quem diga das duas formas. E há quem tenha ainda no hospital mas eu não sentia nada. E tinha receio de não saber se estava a acontecer ou não.
A enfermeira (que foi um amor e adorei que ela tivesse "perdido" aqueles minutos preciosos connosco) disse-me logo: mamã não tenha receios mas a subida do leite é a parte menos bonita da amamentação. Tem de ter paciência, preseverança e acima de tudo não desistir. E eu pensei será assim tão complicado? Há pessoas que só falam maravilhas e nunca ninguém me disse que há uma parte menos bonita. Pois bem mas há. Aqueles dias de subida do leite, de calor infernal, de sensibilidade extrema, de dores, de ter que dar de mamar mesmo que pareça estar tudo a arder, são uma realidade e parecem intermináveis. E é impossível não perceber que está a acontecer :)
Mas passa. Sim, pode não parecer, mas passa rápido. E a parte bonita, de amor, de olhos nos olhos e tudo uma fofura vem e a dor deixa de existir. É mesmo uma questão de não desistir. Pelo menos comigo foi assim, não quis desisitir, acreditei sempre que a dor ia passar, que tinha leite suficiente e que o meu bebé estava bem. O que li nos livros também me ajudou a estar confiante e positiva.
Outro momento, que não podia deixar de falar também, de outra enfermeira (também uma benção ter ido ao nosso quarto de madrugada) que me disse que o bebé faz pausas quando está a amamentar porque ele é pequenino e não consegue estar sempre a fazer a sucção e embora pareça que adormeceu nem sempre isso é verdade. Temos de contar até 10 devagar e ver se ele volta a mamar, ou seja, não temos sempre de lhe mexer no pézinho ou qualquer outro meio para o impedir de adormecer. Às vezes ele está só a recuperar o fôlego :) e eu achei maravilhoso saber isso. Apartir desse momento dava tempo ao meu bebé e ele lá voltava a mamar, sempre de olhinhos fechados mas não estava a dormir :) coisa mais querida.
E foi assim a minha experiência. E a vossa? Correu tudo bem? Futuras mamãs têm receios? Nada temam. Vocês e o vosso bebé juntos conseguem tudo :)

Comentários

  1. A minha experiência é a oposta. :) Embora sempre tenha dito que queria amamentar, também sempre assumi que se a coisa não se desse, se eu sentisse que não conseguia, que aquilo não era para mim, pararia naquele instante. Conheço-me e sei por exemplo que não tenho feitio para ser como aquelas mães que mordem uma toalha para aguentar as dores enquanto amamentam, ou que choram enquanto o fazem.
    Quando a Mini-Tété nasceu parecia saber mamar, aos meus olhos e aos olhos das enfermeiras, tudo parecia estar bem e a pega era boa. Até que ao segundo dia, ela não acordou nem despindo-a e molhando-lhe o corpo. Colocaram-lhe uma seringa cheia de leite adaptado na boca e ela conseguiu beber, despertando. E descobrimos que afinal, ela não mamava nada, que a pega não era boa. Ela encostava a língua ao céu da boca, o mamilo ficava por baixo da língua e claro que não funcionava assim. Ainda tentei amamentá-la mas as dores eram demasiadas, eu já chorava cada vez que ela tinha fome porque não queria voltar a sentir aquelas dores e ainda por cima sem saber se ela estava a comer ou não. Passei uma noite a chorar de remorsos e informei as enfermeiras que queria parar de amamentar. Na altura o Jack não compreendeu, achou que insistindo um pouco mais, ela aprenderia a mamar e tudo seria mais fácil. Acabou mais tarde por me dar razão pois ela só aprendeu a beber no biberão (pois mesmo com este, tínhamos de estar pacientemente a tentar baixar-lhe a língua pois o reflexo dela era sempre pôr a tetina debaixo da mesma) quando já tinha 3 meses. Se tivesse continuado a amamentar, teriam sido 3 meses de má pega, de dores, de stress e não teria sido a mãe calma que fui.:)

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    Respostas
    1. A pega no meu caso só foi problema mesmo no início, porque depois de aprender foi sempre a fazer boa pega e a mamar bem. Mas as dores que tive foi mesmo só na subida do leite e depois passaram. Mas cada caso é um caso e eu acho que aquilo que for bom para a mãe e para o bebé é a melhor decisão. Só estando lá é que se pode saber. E tiveste três meses felizes e isso é que importa verdadeiramente :)

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    2. Ui, a subida do leite. Eu também passei por isso e no meu caso, uma vez que já não estava a amamentar, não podia tirar leite nenhum para aliviar pois isso faria o corpo produzir mais achando que era para o bebé. E aqui não dão medicação pelo que o leite seca naturalmente. Ai, tanta dor.

      Eu concordo contigo, mesmo com esta minha má experiência na amamentação, eu acho que cada mãe deve tentar se for isso que pretende. Até pode correr bem. Ou pelo contrário, correr mal e ter uns meses horrorosos cheios de dor mas mesmo assim a mãe sentir que vale a pena porque quer mesmo amamentar. Para mim, era importante eu estar serena, calma, feliz e tudo isto era mais importante que amamentar, por isso o biberão foi a situação ideal e não me arrependo nem 1 minuto. Mas para quem o mais importante é amamentar eu compreendo que se façam todos os sacrifícios e nesses casos só desejo que consigam. :)

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  2. Se bem me lembro....
    Deu-me uma gripe tão forte que tive de deixar de amamentar. É deu-me a gripe tão forte porque o meu filho provocou fendas e gretas nas mamas..
    Kis :=}

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